
Nos últimos dois anos, o cenário dessa contaminação cresceu e começou a despertar a preocupação das autoridades sanitárias, especialmente porque a prevenção é simples e feita através do uso de preservativos. O tratamento segue a mesma linha e é realizado com um antibiótico largamente usado: a penicilina.
PrevençãoA presidente da regional baiana da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDSTs), a médica Ana Gabriela Travassos, acredita que vários fatores contribuíram para esse quadro que aponta um aumento de 47% nos casos de sífilis no estado, segundo dados do Ministério da Saúde.
“Se parou de falar da necessidade de prevenção e do uso do preservativo, especialmente entre os mais jovens. Aliado a isso, em virtude da falta de matéria-prima no mundo, o Brasil parou de oferecer penicilina no final de 2014, 2015 e até agora ainda não normalizou a distribuição na rede pública”,diz ela.
Para Ana Gabriela, embora o diagnóstico esteja mais rápido e acessível no Brasil com os testes rápidos, muito ainda precisa se avançar quando o assunto é assistência. “Houve um avanço, especialmente em virtude do trabalho realizado pela Rede Cegonha, junto às mulheres grávidas, mas o mesmo não acontece quando o assunto é o tratamento de adultos: homens e mulheres”, afirma a médica, ressaltando que a prevenção, diagnóstico e tratamento são pontos cruciais para quebrar o ciclo de transmissão da sífilis.
“É fundamental salientar que essa infecção pode acometer o coração, a pele e os ossos, trazendo danos irreversíveis, e que ainda favorece o alastramento do HIV”, completa a médica.
ControleEm Salvador, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolveu estratégias específicas para tratar a sífilis, principalmente nos bairros que compõem o Subúrbio Ferroviário e São Caetano. “O município não tem sofrido com a falta da penicilina porque investimos – mesmo pagando valores altos - na compra dessa medicação que está voltada especificamente para o tratamento da sífilis e da febre reumática”, explica a chefe do setor de acompanhamento de DSTs/Aids e Hepatites, Flávia Guimarães.
Para ela, a informação e a sensibilização são ferramentas fundamentais para reverter o quadro que tanto preocupa a saúde pública. Aliado ao tratamento, Flávia enfatiza a necessidade da prevenção como arma eficaz no combate à doença e suas repercussões.
“Temos mais de 5 milhões de preservativos em estoque e isso não diminui porque as pessoas não vão retirar nos postos, ressaltando que temos preservativos masculinos e femininos, fato que dá às mulheres o poder de garantir a proteção, independente da vontade do parceiro”, conta.
Serviço
Flávia Guimarães assegura que qualquer pessoa pode retirar preservativos em todos os postos de saúde da capital, sem que seja necessário documento ou participar de qualquer atividade. “É claro que, sempre que possível, aproveitamos essa oportunidade para ampliar as informações sobre DSTs, mas se a pessoa estiver com pressa, é só fazer a retirada de modo rápido, simples e sem custos”, diz.
Flávia Guimarães assegura que qualquer pessoa pode retirar preservativos em todos os postos de saúde da capital, sem que seja necessário documento ou participar de qualquer atividade. “É claro que, sempre que possível, aproveitamos essa oportunidade para ampliar as informações sobre DSTs, mas se a pessoa estiver com pressa, é só fazer a retirada de modo rápido, simples e sem custos”, diz.
A coordenadora do Programa Estadual de DSTs/Aids e Hepatites Virais, Nilda Ivo, confirma a preocupação em relação à sífilis, especialmente à forma transmitida ao bebê.
“Todos os anos, 2.400 novas gestantes são infectadas no estado e precisamos barrar esse número”, diz Nilda. Segundo ela, até o início de abril, a Bahia deve estar normalizando a oferta de penicilina, tanto na forma benzatina para o adulto quanto à forma cristalina para o tratamento infantil. “Há um compromisso que o estado consiga até 2020 alcançar 90% de diagnóstico, 90% de prevenção e 90% de tratamento”, finaliza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário